Cafarnaum: um filme choque que nos pesa na consciência


Cafarnaum, que é um dos 5 nomeados deste ano para Melhor Filme Estrangeiro nos Oscares, é uma descrição brutal e realista de pobreza e miséria e da revolta de um rapaz de 12 anos em relação à vida a que foi condenado.

É difícil sair do cinema e dizer-se que se ficou "satisfeito": "abalado" é o sentimento mais próximo. É um filme que não nos pede licença para atingir-nos com um violento murro no estômago. É bastante perturbador de princípio ao fim, mesmo que a realizadora libanesa estivesse apenas a querer ser o mais fiel à realidade.

Apesar da ação deste filme ser nos subúrbios de uma cidade libanesa,vemos no drama do pequeno Zain uma repetição da vida de milhões depessoas que em todo o mundo lutam diariamente pela sobrevivência. Para além da pobreza, aborda o trabalho infantil, casamento com menores, o drama de refugiados , trafico de droga, trafico de pessoas e o racismo.

O que nos incomoda verdadeiramente neste filme é o relembrar darelativa indiferença com que ignoramos aqueles que diariamente vivem na pobreza quer no nosso país, que no mundo em geral. Cafarnaum relembra-nos que são seres humanos como nós e que algumas questões que o revoltado Zain de 12 anos põe no filme, deveríamos poder dar resposta. A última imagem do filme, que certamente ficará na memória de quem o viu, é infelizmente apenas um ténue vislumbre de como tudo deveria ser. 
 
Um filme ao qual ninguém deveria estar dispensado de assistir, embora seja uma tarefa difícil nesta altura que antecede a cerimónia de Óscares, momento em que são estreados os melhores filmes no ano, demasiados para se poder dar a atenção devida.
 

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