Como explicar o racismo a quem não o quer entender?

Os Estados Unidos estão em polvorosa. A morte de George Floyd às mãos da polícia de Minneapolis foi o rebentar periódico de uma tensão racial que existe e sempre existiu neste país. O ato brutal do agente policial é o reflexo de preconceitos profundamente enraizados na sociedade americana.

Um exemplo típico é o incidente, sem violência, entre Amy Cooper e Chris Cooper no Central Park de Nova York. O facto de terem o mesmo apelido, só acrescenta uma carga extra de ironia, pois este episódio demonstrou o quão distantes estão na estratificação social artificialmente imposta nos EUA.

Chris Cooper, afroamericano, observava aves no Central Park quando pediu a uma mulher, Amy Cooper, que colocasse a coleira no seu cão, como era exigido naquela zona. Amy reagiu agressivamente telefonando para a polícia gritando histericamente ao telemóvel que “um homem afroamericano estava a ameaçar-lhe".


São tantas as coisas erradas neste vídeo, que nem sei por onde começar. Amy sabe e usa o estereotipo negativo dos negros nos EUA em seu proveito e o mais triste de tudo, sabe como a polícia os trata, usando tal facto como uma ameaça. Colocou a vida Chris Cooper em risco com uma falsa chamada, com um desprezo não muito distinto do agente da polícia que asfixiava George Floyd.

É difícil para quem não pertence a uma minoria entender o quão profundamente magoam este tipo de vídeos e que infelizmente muitas vezes levam à revolta. Encontrei mais uma vez ajuda em Trevor Noah , um dos meus humoristas favoritos, e que têm adicionalmente um talento especial para sintetizar e explicar a natureza destes eventos, para que as pessoas entendam a perspectiva, mágoa e revolta da comunidade negra, e sendo ele inclusivamente de origem sul-africana percebe melhor esta realidade como ninguém:

 



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