A despedida de alguém que amamos é algo que nos marca profundamente. Seja num contexto forçado de emigração ou numa situação extrema como a guerra, é uma parte de nós que fica para trás. Quando é definitiva como é na ocasião da morte, são cicatrizes que nos acompanham de forma permanente.
Sendo assim as canções que evocam este sentimento de partida captam naturalmente a nossa atenção, emocionando-nos de forma fácil, e fazem parte daquele reportório musical que nunca se desatualiza, sendo apreciado pelas gerações seguintes, mesmo de culturas distintas.
Este tema, vem a propósito de Vera Lynn que faleceu hoje aos 103 anos, eternamente conhecida no mundo britânico pela canção “We´ll meet again”, cantada repetidamente ao longo da 2ª Guerra Mundial. É uma canção de despedida, muito popular entre os soldados. Na provação da guerra, acabou por ser uma canção de esperança num futuro melhor e na confiança que aquele povo, sujeito ao mais mortífero conflito da história da humanidade, sobreviveria, e que todos voltariam a reencontrar-se no final.
No entanto é inevitável confrontá-la com a canção de guerra mais conhecida de Portugal: a “Menina dos Olhos Tristes”. É verdade que o povo português é conhecido pela natureza melancólica, mas esta canção sobre a guerra colonial, provoca uma profunda sensação de tristeza pela perda permanente que evoca.
Longe do “We´ll meet again” de alguém que vai combater uma guerra “justa” pela liberdade da humanidade, na guerra colonial esse sentimento não existiu. Após o processo de descolonização e independência das ex-colónias, ficou um sentimento de inutilidade da guerra e da inutilidade dos milhares de vidas perdidas nesse conflito sejam portugueses ou africanos. A “Menina dos Olhos Tristes” relembra o sacrifício supremo da guerra, da perda permanente e de quem só voltou a ver a pessoa amada quando esta regressou dentro de um caixão de pinho.
Fica aqui uma das muitas recreações desta canção, o que prova que continuará viva para as gerações futuras e uma recordação dos seus autores que já partiram para sempre.

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