Costumo ver semanalmente o programa de debate "Invasões Barbaras" na SIC Notícias, que se autodefine como "quatro olhares cruzados com raízes ucranianas (Iryna Shev), franco-italianas (Olivier Bonamic), luso-eslavas (José Milhazes) e anglo-saxónicas (Helga Saraiva-Stewart) sobre o retângulo nacional".
O programa desta semana, sobre Ihor Homeniuk, era difícil para a moderadora (Iryna Shev) pois é de origem ucraniana, tendo entrevistado para a SIC a viúva deste cidadão ucraniano assassinado pelo SEF e escutado sem poder comentar algumas considerações sobre a comunidade ucraniana no programa.
O comentário de José Milhazes que destaco acima é totalmente despropositado e discriminador e vai naquela tendência de “isto do racismo está muito na moda”. Ser vítima de racismo é uma agressão pessoal e um crime e não algo que se goste de glorificar.
José Milhazes também fez outros comentários discriminadores no programa quase sugerindo que a comunidade de Leste é superior à de origem africana, lamentando o desperdício das suas “melhores” qualificações. Lamento também que Helga Saraiva-Stewart apesar de mostrar irritação no olhar com as palavras do Milhazes não tenha dado uma adequada resposta em especial considerando as suas origens.
Quanto ao crime do SEF, curiosamente Mamadou Ba foi dos primeiros a denunciar a gravidade do que aconteceu com o Ihor Homeniuk , logo nas primeiras semanas em que se tornou público, como podem consultar aqui:
https://www.facebook.com/MBB1974/posts/10221820326525748
https://www.facebook.com/sos.rac/posts/3373858139310259
https://www.facebook.com/MBB1974/posts/10221921198647488
https://www.facebook.com/MBB1974/posts/10221841695659963
https://www.facebook.com/MBB1974/posts/10221830691864875
https://www.facebook.com/MBB1974/posts/10221792081259634
Mas aqueles grupos que aparentemente se dedicam a inspecionar cada palavra que Mamadou Ba diz nas redes sociais para criar polémicas artificiais, “deixaram escapar” estes posts.
A maior parte dos grupos, partidos e movimentos de esquerda deram importância devida em Março/Abril quando o caso aconteceu, ao contrário de movimentos mais conotados com a direita que só recentemente decidiram aproveitar politicamente este tema.
O problema é que a comunicação social preferiu ocupar-se com o tema da COVID e a comunidade ucraniana não tem o peso institucional para se mobilizar e contestar ao contrário da africana que recentemente decidiu dizer basta e não mais voltar a esconder-se.
Deixo aqui o link para o programa desta semana https://sicnoticias.pt/programas/invasoes-barbaras/2020-12-13-O-caso-do-SEF-Portugal-abandonou-os-brandos-costumes--E-nestas-festas-o-virus-fica-a-porta-
Esta normalização de um discurso contra a luta antirracista é algo que deve ser contestado e combatido. Nunca mais esconder e sofrer no silêncio.

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