O Mal (não) existe quando cumprimos ordens.



Apenas duas pessoas numa das sala de cinema que estreou este filme esta semana. Pedia-se melhor dignidade para o vencedor do Urso de Ouro do 70º Festival de Berlim, o filme "O mal não existe", mas a crise pandémica está a aniquilar a indústria cinematográfica e o streaming está a acabar por ser uma escapatória de último recurso.

Em relação a este filme é constituído por 4 histórias independentes sobre a mesma temática: aqueles que de uma forma ou de outra estão envolvidas na tarefa de executar pessoas no Irão. Neste país ao contrário do que poderíamos pensar, esta cruel tarefa é muitas vezes atribuída a jovens recrutas no cumprimento do seu serviço militar obrigatório.

E este facto transforma este filme, que poderíamos pensar que era específico de temas de Irão, numa discussão global sobre a pena de morte. Será que cada um confrontado com uma ordem legal para executar uma pessoa o faria? Principalmente se o não acarretar dessa ordem implicaria represálias pessoais graves e irreversíveis para o resto da nossa vida? Este dilema sobre a responsabilidade e escolhas individuais é refletido nestas 4 histórias que se desenvolvem e apresentam desfechos totalmente distintos.


É difícil dizer qual destas histórias é a mais bem conseguida, penso que depende da perspetiva pessoal de cada um. Gostei mais da 1ª pelo seu final abruto, chocante e inesperado no decorrer de uma história familiar aparentemente normal e da 3ª história porque nos recorda o quão fácil é alguém cometer o mal com a desculpa de cumprir ordens.

Um excelente filme que merecia mais público e que a COVID-19 não serve totalmente como desculpa, e isto atendendo ao enorme fluxo de pessoas que naquele dia faziam compras de Natal no mesmo centro comercial onde assistia a este filme.


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